Murmúrios de Tristeza

Pintura de Markus Akensson
Eis que me encontro condenada a solidão d´alma, a qual me envolve totalmente em um manto sombrio de amargura e dor que me definha lentamente. Um gélido vento passa por meu rosto e pousa em meus ouvidos profundos murmúrios de tristeza, que declamam a saudade que sinto de um passado que infelizmente não voltará.

Viver? Por que? Se a alegria que exalava em meu ser se extinguiu, cedendo lugar a uma infinita tristeza que se apoderou de mim até a última gota de sangue? Tudo que restaram foram lembranças mórbidas e um coração vazio! Sou hoje apenas a sombra do que um dia fui.

Pintura de Duffy Sheridan
Morrer? Para que? Talvez descansar do mundo e encostar a cabeça numa lájea fria onde não serei mais assombrada por tais sentimentos é uma possibilidade profundamente atraente, pois acredito que é preferível morrer e talvez encontrá-lo a viver diariamente aterrorizada pelos punhos impiedosos deste descomunal sofrimento.

Lembro-me que ele sempre dizia: "o que fica para depois não é o que está confirmado para existir!" E enquanto os dias se arrastam eu tento acreditar que este "depois" talvez me trará uma pequena porção de felicidade.

E assim vivo ou melhor, sobrevivo, atormentada por sua ausência que se faz sempre presente aterrorizando-me com seus murmúrios de tristeza...


3 comentários

  1. Uma verdadeira prosa poética! Muito bom Idi. Um quê de decadantismo com romantismo. Parabéns! Abraço do Gonçalves.

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  2. Obrigada Eveline e Sidney! Fico muito feliz em saber que consegui tocar seus corações! Abraços,Idianara.

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