Uma saudade


Pintura de Vicente Romero Redondo
Quando li o poema Meus Oito Anos, confesso que não apreciei muito sua forma em consequência da constante repetição dos “ques”, entretanto gostei do retrato que o autor Casimiro de Abreu construiu para expressar o saudosismo dos tempos de sua infância. Porém, o maior impacto que este poema me causou foi despertar as sublimes lembranças de uma adorável amiga da escola, a qual faleceu com 18 anos de idade. 

Pintura de Vicente Romero Redondo
Esta perca me causou um profundo sofrimento, agravado pelo triste desfecho do fim do meu primeiro amor. Em seu último ano de vida, nos tornamos muito íntimas: procurávamos o primeiro emprego juntas e nos visitávamos com frequência. Nestes momentos passávamos horas divagando sobre quais seriam os presentes que a vida nos reservava e sobre tudo aquilo que gostaríamos de nos tornar e de possuir. 

Mas infelizmente ela não teve tempo para concretizar seus sonhos, pois partiu antes de realizá-los. Em seu lugar ficou apenas uma infinita saudade e ternas recordações dos momentos que passamos juntas. Após desfiar este rosário de lembranças, decidi transformar cada conta numa palavra e assim criar um simples e modesto poema, intertextualizado com o de Casimiro de Abreu, para homenagear minha amiga:
 

Uma saudade
                     
                             Em memória de Cibele Martins da Rocha


Oh! Que saudades que eu tenho
Da minha adolescência vivida,
Da minha amiga querida
Que os anos não trazem mais!
Que amizade, que sonhos, que alegria
Naquelas tardes corriqueiras
À sombra de duas árvores trigueiras,
Cibele Martins da Rocha
Permeadas de imensa nostalgia!

Como eram belos os dias
Do despertar da maturidade!
Que apesar da pouca idade
Já surgia em nosso interior
O céu – um confiável ouvinte,
O mundo – um sonho desejado,
Nossas almas – sonhadoras e felizes,
A vida – nos presenteou com a fatalidade!

Que dor, que perca, que despedida,
Que momentos de agonia!
Naqueles tristes dias,
Naquela terrível realidade!
O céu tornara-se lúgubre
A terra de aromas pútridos
O mar revolto de sofrimento
E a lua bêbada de dissabor!

Oh! Minha doce amiga!
Oh! Saudades que não tem fim!
Que frágil era tua vida
E forte era tua luz!
Mas apenas saudades reinam agora,
Eu lhe perdi e não compreendo,
Porque me deixaste, porque morreste
Se eras uma grande amiga?!

4 comentários

  1. Parabéns Idia, pela homenagem que você fez para Cibele, a cada palavra uma emoção, lembranças, aí estou até angustiada.... Que saudade dela, lembro do tempo da escola que faziamos trabalho na casa dos meus pais e comiamos bolo de cenoura, até raspavamos a forma, que tempo bom..... Saudades imensas... Por isso que devemos dar valor as pessoas e dizer o quanto são importantes em nossas vidas sempre, pois não sabemos o dia de amanhã, como foi a perda de nossa amiga....
    Cibele que estejas ao lado do papai do céu e obrigada por ter feito parte da minha vida!!!
    Saudades, saudades, saudades eterna!!!!!

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    1. Oi Simone, muito obrigada pelo carinho! Realmente as palavras possuem o poder de nos encantar e foi isso que busquei quando escrevi esta postagem. O sentimento de saudades que trago n´alma, é muito forte... Mas sei também que a Cibele está sempre concosco em nossos corações e em nossas memórias.

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  2. Como explicar a perda de alguém especial? Também perdi um primo que morreu afogado, um dia após mudar-se para a sua nova residência. Um comovente artigo. Parabéns! Beijo do Gonçalves.

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    1. Obrigada Sidnei! Perder alguém é algo extremamente marcante para qualquer pessoa e o mais dificil é aprender a conviver com a saudade...

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